Introdução
Talvez você tenha percebido isso na própria história.
Nos primeiros anos da escola, a Matemática parecia relativamente simples. Somar, subtrair, multiplicar, dividir. Depois vieram frações, números decimais, porcentagem, expressões, equações e problemas.
Em algum momento, aquilo que antes parecia familiar começou a ficar confuso.
E então surgiu uma conclusão que muita gente carrega até hoje:
“Eu não sou bom em Matemática.”
Mas será que foi realmente isso que aconteceu?
No começo, a Matemática parece mais concreta
Quando uma criança aprende a contar, ela consegue relacionar os números com coisas que conhece.
Três objetos podem ser vistos. Cinco brinquedos podem ser contados. Duas maçãs mais uma maçã podem ser percebidas diretamente.
Aos poucos, porém, a Matemática começa a se afastar das situações concretas.
O número deixa de representar apenas objetos.
Passa a representar relações.
Depois aparecem símbolos, expressões e regras que precisam ser compreendidos mesmo quando não existe algo físico para observar.
É aí que começa uma mudança importante.
A Matemática passa a exigir cada vez mais abstração.
O problema é que uma etapa depende da anterior
Imagine que um estudante tenha aprendido a realizar uma divisão seguindo um procedimento, mas nunca tenha compreendido realmente o que significa dividir.
Enquanto os exercícios forem parecidos com aqueles que ele praticou, talvez consiga resolvê-los.
Mas quando aparece uma situação diferente, pode não saber o que fazer.
O mesmo pode acontecer com frações.
Um estudante pode aprender que, para somar determinadas frações, é necessário encontrar um denominador comum. Pode até decorar o procedimento.
Mas se ele não compreendeu o significado de uma fração e a relação entre as partes e o todo, o procedimento fica isolado.
Quando novos conteúdos aparecem, essa fragilidade começa a cobrar seu preço.
A Matemática vai ficando difícil sem que o estudante perceba exatamente por quê
Esse é um dos aspectos mais interessantes da aprendizagem matemática.
Uma pequena dificuldade em determinado momento nem sempre parece importante.
O estudante consegue continuar.
Depois surge outro conteúdo que depende daquele conhecimento.
Ele encontra uma nova dificuldade, mas novamente consegue acompanhar parcialmente.
Isso pode acontecer várias vezes.
Até que chega um momento em que vários conhecimentos anteriores são necessários ao mesmo tempo.
É comum então o estudante pensar:
“Agora ficou impossível.”
Mas talvez a dificuldade não tenha começado naquele conteúdo.
Ela pode ter começado muito antes.
É como construir uma casa
Uma construção não precisa ter um problema visível para estar comprometida.
Se uma parte da estrutura não foi bem construída, talvez ninguém perceba imediatamente.
Mas, conforme a construção cresce, aquela fragilidade pode começar a interferir nas partes que vêm depois.
Na Matemática acontece algo parecido.
Os conhecimentos não são completamente independentes.
Operações ajudam na compreensão de frações.
Frações aparecem em porcentagem e proporcionalidade.
Proporcionalidade aparece em diversos problemas.
A álgebra utiliza operações, números, relações e propriedades que já deveriam estar relativamente consolidadas.
Por isso, quando uma base apresenta muitas lacunas, conteúdos posteriores podem parecer muito mais difíceis do que realmente são.
E existe outro problema: a memorização pode esconder a dificuldade
É possível memorizar muitos procedimentos matemáticos sem compreender profundamente o que está acontecendo.
Durante algum tempo isso pode funcionar.
O estudante aprende uma regra, repete alguns exercícios e consegue uma nota razoável.
Mas a Matemática continua avançando.
Quando surge uma situação que não se parece com os exemplos estudados, a memória já não é suficiente.
É nesse momento que o estudante precisa raciocinar.
E raciocinar exige compreensão.
Então é no Ensino Fundamental que a dificuldade começa?
Nem sempre.
Cada pessoa possui uma história diferente.
Algumas dificuldades começam nos primeiros anos.
Outras aparecem quando a Matemática se torna mais abstrata.
Para algumas pessoas, a grande mudança acontece com frações. Para outras, com álgebra. Para outras, quando começam os problemas que exigem interpretação.
Por isso, não existe um único ponto em que a Matemática “fica difícil” para todo mundo.
O que existe é uma progressão.
E quando uma etapa importante não foi bem construída, as etapas seguintes podem se tornar mais difíceis.
Isso significa que quem tem dificuldade em Matemática não consegue aprender?
Não.
E essa talvez seja a parte mais importante.
Ter dificuldades em Matemática não significa ter pouca inteligência, falta de capacidade ou algum tipo de incapacidade permanente.
Muitas vezes significa simplesmente que existem conhecimentos que precisam ser reconstruídos.
Quando conseguimos identificar esses pontos e trabalhar sobre eles de maneira adequada, aquilo que antes parecia confuso pode começar a fazer sentido.
O estudante não precisa necessariamente voltar ao início de toda a Matemática.
Precisa descobrir quais fundamentos realmente estão interferindo na sua aprendizagem atual.
É possível reconstruir uma base?
Sim.
Mas reconstruir não significa simplesmente repetir tudo o que já foi estudado.
Significa compreender melhor aquilo que ficou frágil e estabelecer relações que talvez nunca tenham sido construídas.
Esse processo pode mudar bastante a maneira como o estudante enxerga a própria Matemática.
Uma equação, por exemplo, deixa de ser apenas uma sequência de passos para decorar.
Uma fração deixa de ser apenas dois números separados por uma barra.
Um problema deixa de ser uma tentativa de descobrir qual fórmula deve ser utilizada.
A Matemática começa a aparecer como um sistema de ideias que se relacionam.
E isso muda a experiência de aprender.
É justamente aí que entra a proposta da ParteOm
A ParteOm parte de uma ideia simples:
talvez o problema não seja você. Talvez seja a base.
O Centro de Recuperação Matemática e Computacional ParteOm trabalha para compreender o momento de aprendizagem de cada estudante e indicar um caminho adequado para reconstruir os fundamentos necessários.
Na Matemática, isso significa fortalecer a base e desenvolver compreensão, raciocínio e autonomia para avançar.
O primeiro passo pode ser uma Avaliação Inicial Individual, que ajuda a compreender onde estão as principais dificuldades e qual caminho pode fazer mais sentido.
Você não precisa concluir que é ruim em Matemática só porque encontrou dificuldades ao longo do caminho.
Talvez exista uma explicação mais simples para aquilo que aconteceu.
E talvez seja possível começar a reconstruir a partir daí.

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